Artigo | Depressão: tratamento psicoterápico e medicamentoso

Artigo | Depressão: tratamento psicoterápico e medicamentoso

A depressão é um transtorno que provoca um rebaixamento do humor, trazendo mudanças em como a vida é percebida e sentida. Os sintomas principais são: alteração na capacidade de experimentar o prazer, perda de interesse e redução de atividades, isolamento social, alterações nas funções cognitivas como atenção e memória; mudanças  no sono e apetite, bem como alterações psicossomáticas. Segundo o  CID-10, o número e a gravidade dos sintomas permitem determinar três graus de um episódio depressivo: leve, moderado e grave.

Pesquisas recentes sobre o funcionamento do cérebro demonstram que um quadro depressivo possui um mecanismo neurobiológico complexo, com causas multifatoriais. Sendo assim na parte biológica ocorre um desequilíbrio nos neurotransmissores (responsáveis pela transmissão dos impulsos ou dos sinais nervosos nas áreas do cérebro que regulam o humor),  podendo ser desencadeada por eventos externos ou fatores estressantes. Os sintomas deste quadro também podem ser exacerbados e mantidos de acordo com os traços característicos da personalidade, deixando o indivíduo mais vulnerável . Portanto, a maneira como a pessoa interpreta, reage e lida com os eventos, pensamentos e sentimentos podem manter o quadro, entrando num viés de círculo vicioso. 

A avaliação de profissional especializado é fundamental para a confirmação do diagnóstico adequado. Isto implica uma coleta criteriosa de todos os dados referentes ao histórico de vida, as mudanças de comportamento, humor e alterações de ordem somáticas. Um  exame clínico completo  deve afastar a possibilidade de outro quadro orgânico que poderia estar causando sintomas semelhantes.

Pensar a depressão como uma doença com alta morbidade e mortalidade, com alto impacto na qualidade de  vida pessoal bem como nos  contextos familiar, profissional e  social onde o indivíduo está inserido, leva a  analisar as alternativas disponíveis para tratamento.

A indicação do  tratamento deve ser individualizada, variando de acordo com o tipo e gravidade do quadro depressivo. Muitos estudos têm sido realizados a respeito da eficácia da psicoterapia, do tratamento farmacoterápico e da associação de ambos.  Na prática clínica, parece haver senso comum de que as abordagens combinadas funcionam de maneira mais eficaz principalmente nos casos de depressões graves e recorrentes.

A escolha do tipo de psicoterapia pode surgir através de questões subjetivas trazidas. De acordo com o histórico e dos sintomas apresentados, o paciente pode ter a indicação de diferentes abordagens referentes às  linhas teóricas de psicoterapia.  A aliança terapêutica estabelecida é fundamental para que se estabeleça um processo onde possam ser desenvolvidas ferramentas para as mudanças necessárias. A continuidade da psicoterapia também é importante para a redução de sintomas residuais após a retirada da medicação e prevenção de recaídas.

No caso do tratamento farmacoterápico, o paciente pode fazer uso de medicamentos que atuam no fluxo dos neurotransmissores.  Aqui também a avaliação para a escolha do medicamento é individualizada, levando em conta o tipo de antidepressivo, o aumento e ajuste da dose, os efeitos colaterais e quando necessário também a associação de outro antidepressivo ou medicação complementar.

A  resposta aos tratamentos é medida pela melhora da sintomatologia, funcionamento e bem estar do paciente. É importante ressaltar que muitos pacientes não obtêm  a melhora adequada porque descontinuam os tratamentos assim que  diminuem alguns sintomas.  

Ainda existe muito  preconceito, falta de informação e estigma social  em relação à busca de tratamento.  A melhora depende de várias estratégias como: se adequar e fazer adesão aos tratamentos psicoterápico e medicamentoso, além de investir em hábitos saudáveis de vida como  sono, alimentação, lazer e atividade física. 

DENISE MARIA GRABOWSKI WEIDNER – CRP 08/01515

Psicóloga formada pela UFPR. Psicóloga clínica com especialização em Psicodrama Terapêutico e Formação em Terapia Relacional Sistêmica.

 

Enviar resposta

Your email address will not be published.

WhatsApp chat Fale conosco